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Mercado Financeiro

Klabin (KLBN11) em 1T26: Custos Disparam e Caixa Fica Negativo, BTG e Santander Divididos sobre o Futuro

Por Vinícius Hoffmann Machado06 maio 20266 min de leitura
Klabin (KLBN11) em 1T26: Custos Disparam e Caixa Fica Negativo, BTG e Santander Divididos sobre o Futuro

Resumo

Klabin (KLBN11) no 1T26: Pressão de Custos e Fluxo de Caixa Negativo Moldam o Cenário para Investidores

A Klabin (KLBN11) divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026, um período marcado por desafios significativos na geração de caixa e uma desalavancagem limitada. Apesar de números em linha com as expectativas em termos de Ebitda ajustado, a companhia sentiu o peso de paradas programadas para manutenção e um ambiente de custos em elevação.

O Ebitda ajustado atingiu R$ 1,7 bilhão, um desempenho praticamente em linha com as projeções, mas que representa uma queda de 9% em relação ao trimestre anterior e de 10% na comparação anual. Esse resultado foi diretamente impactado pelas interrupções operacionais na unidade de Monte Alegre, essenciais para a manutenção da infraestrutura.

Além da pressão no Ebitda, o fluxo de caixa livre (FCF) fechou o trimestre no campo negativo. Este cenário foi impulsionado por um aumento nos investimentos e um maior consumo de capital de giro, evidenciando a necessidade de capital para sustentar as operações e planos de expansão. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA em dólar, permaneceu elevada em 3,3 vezes, sem demonstração de melhora expressiva no período.

Análise Divergente: BTG Pactual e Santander Avaliam o Futuro da Klabin

A visão do BTG Pactual sobre os resultados da Klabin aponta para um cenário de “momentum fraco”. O banco destaca as condições de mercado ainda desafiadoras, com pressão nos preços da celulose e o impacto de um real mais forte, que encarece exportações e reduz a competitividade. Diante deste quadro, o BTG mantém uma recomendação neutra para as ações da KLBN11, com um preço-alvo de R$ 23.

Os motivos para a cautela do BTG incluem um valuation considerado elevado para o momento atual da empresa e a ausência de catalisadores claros no curto prazo que possam impulsionar uma recuperação mais robusta. A análise sugere que os investidores devem aguardar por sinais mais concretos de melhora operacional e de mercado.

Em contrapartida, o Santander apresenta uma perspectiva ligeiramente mais otimista. Embora reconheça que o EBITDA ficou um pouco abaixo do consenso, o banco o considera acima de suas próprias projeções. O Santander ressalta a estabilidade nos volumes de celulose, que alcançaram 401 mil toneladas, um aumento de 16% na base anual, o que pode ser um ponto positivo em meio a um cenário complexo.

Impacto dos Custos e Preços na Divisão de Celulose e Papel

A divisão de celulose da Klabin mostrou sinais mistos. Os preços realizados de hardwood registraram um avanço de 7% no trimestre, porém, o softwood e o fluff sofreram recuos de 4%. Essa dinâmica resultou em uma leve alta nos preços médios em dólar, mas uma queda em reais, refletindo a volatilidade cambial e de mercado. Paralelamente, os custos operacionais apresentaram uma pressão significativa.

O custo caixa unitário na divisão de celulose subiu para US$ 252 por tonelada. Essa elevação foi majoritariamente impulsionada pelo aumento de 15% no custo da madeira, além de reajustes nos preços de combustíveis e químicos. Apesar desses desafios, o EBITDA da divisão de celulose demonstrou resiliência, com um crescimento de 29% no trimestre e uma expansão nas margens para 47%.

No segmento de papel, os volumes mantiveram-se estáveis. Houve uma recuperação na demanda por containerboard, mas uma queda na comercialização de cartões revestidos. Os preços médios nesta divisão recuaram 3%, evidenciando a persistência da pressão competitiva. Já a área de embalagens registrou uma leve retração nos volumes, com preços estáveis.

Desafios de Caixa e Investimentos: A Realidade Financeira da Klabin

O custo caixa total da Klabin atingiu R$ 3.342 por tonelada no trimestre. Este valor foi influenciado pelos 14 dias de parada para manutenção em Monte Alegre, que geraram um custo direto de R$ 124 milhões. Essa necessidade de manutenção, embora crucial para a sustentabilidade operacional, impactou diretamente a estrutura de custos da companhia.

O Santander também chamou a atenção para o consumo de R$ 102 milhões em fluxo de caixa livre ajustado no trimestre. Esse valor reflete, em grande parte, a pressão contínua sobre o capital de giro, um indicador da gestão de ativos e passivos de curto prazo da empresa. Somado a isso, os investimentos totalizaram R$ 839 milhões, demonstrando o compromisso da Klabin com seus planos de crescimento e desenvolvimento de novas capacidades.

Apesar deste cenário de custos elevados e fluxo de caixa pressionado, o Santander mantém sua recomendação de compra para KLBN11, com um preço-alvo de R$ 29. O banco espera uma reação neutra do mercado aos resultados, sugerindo que os investidores já precificavam parte desses desafios, mas que a visão de longo prazo para a companhia permanece positiva.

Conclusão Estratégica: Navegando a Volatilidade e Buscando a Recuperação

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Klabin evidenciam a complexidade do cenário macroeconômico e setorial que a empresa enfrenta. A pressão sobre os custos, especialmente de madeira e energia, somada à volatilidade dos preços das commodities e ao impacto do câmbio, afeta diretamente as margens e a geração de caixa. A necessidade de investimentos contínuos em manutenção e expansão, embora fundamental para o futuro, exige uma gestão financeira rigorosa para não comprometer a saúde do balanço.

Do ponto de vista financeiro, a geração de caixa livre negativa no trimestre é um ponto de atenção. Para os investidores, a capacidade da Klabin de reverter essa tendência e melhorar a desalavancagem será crucial para a sustentação do valuation e a atração de novos capitulos. O risco reside na capacidade da gestão em otimizar custos, gerenciar o capital de giro e capitalizar sobre a demanda por seus produtos em um ambiente competitivo.

Minha leitura é que a Klabin está em uma fase de transição, onde os investimentos e os custos de curto prazo pesam sobre os resultados imediatos, mas com o potencial de gerar valor no médio e longo prazo. A divergência entre BTG e Santander reflete a incerteza sobre o timing e a magnitude da recuperação. Para investidores, a decisão de manter ou aumentar a exposição a KLBN11 dependerá da crença na estratégia de longo prazo da companhia e na sua capacidade de navegar os desafios atuais.

Este conteúdo é de caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de qualquer ativo. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

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Vinícius Hoffmann Machado
Fundador · Eruption Global

Engenheiro de Produção e especialista em finanças corporativas com mais de 13 anos de experiência em gestão estratégica de custos, planejamento orçamentário e análise de mercado. Fundador da Eruption Global, portal dedicado à análise econômica aplicada.

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